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18/03/2007 00:55
Cigarros, Bebidas e uma Pistola
Esta noite eu vou contar até que ponto eu cheguei para tentar conquistar o mundo e estou desfalecendo tentando. Em quais situações eu cheguei e não consigo vencer os obstáculos que encontrei.
Olhei para a mesa e vi um pacote de cigarros do mais intenso que existe no mercado. Eu havia tragado outras marcas e nada deixava-me tão anestesiado quanto a marca atual de tarja vermelha. Ao lado, uma garrafa de uísque. A única bebida que me deixava com o peito e garganta queimando e ardendo. As outras, nem as brasileiras, genuinas águas ardentes dos interiores brasileiros, não me deixava embriagado. Por último, a tentativa final, uma pistola prateada e com balas reservas para testar a minha coragem até o final.
Lembrarei para vocês como eu cheguei até este ponto. De sentar nesta sala a meia luz e escrever um pouco sobre mim para depois sumir do mundo...
Traguei um cigarrro. Um não, dois três antes de continuar. Abri a bebida e coloquei no copo. Era um copo par dose dupla e tomei num só gole. Minha garganta nem sentia mais a irritação da bebida, descia como água ultrapassando os obstáculos que encontra no caminho. Olhei a pistola ao lado das outras drogas e fechei os olhos. Traguei intensamente o cigarro e ascendi outro cigarro. Tomei mais uma dose e comecei a escrever.
Hoje, minha vontade de desaparecer foi mais intensa do que a última vez há três meses. Nada do que eu faço é positivo. Minhas atitudes não conquistam as pessoas do jeito que eu quero, e não adianta me responder que nem tudo é como nós queremos, eu sei que poderia fazer a diferença e não consegui.
parei por um minuto e lembrei da primeira vez que eu tentei me matar. Peguei uma faca no momento de raiva e fechei os olhos. Hesitei por um minuto cm a faca apontada para a minha barriga e larguei-a no chão. Ouvi tilintar de sua afiada lamina sumir de minha vista. Tentei chorar, e nem de vergonha eu consegui. Só consegui levantar e terminar de arrumar a casa. Se não apanharia outa vez.
Voltei a atenção para o papel sobre a mesa e continuei a escrever. O telefone tocou, mas eu não queria falar com ninguém nesta noite. nesta última noite em meu recinto. Eu queria ficar quieto e acabar com meu corpo de umas vez só, mas ainda não sabia como.
Traguei outo cigarro e tomei outro gole de uísque. E continuei a escrever.
Outra noite eu me deparei em um ato de loucura que eu mesmo não entendi. Estava caminhando pela calçada em direção ao supermercado e comecei a riscar o palito de fósforo. Riscava e apagava, pegava outro e o mesmo movimento. Meu sorriso parecia satisfazer a tentação que prefiro nem mensionar. Quando cheguei em frent ao sémáforo, olhei para o movimento dos veículos e quis me jogar na frente deles, mas hesitei. Continuei parado com um pé na avenida e outro na calçada esperando um vento mais forte me empurrar e acabar com a minha dedicação inútil de servir. Quando tomei coragem o semáforo ficou no vermelho. Ouvi uma freada mais brusca de um carro, mas parou antes da faixa de pedestre. Olhei para o veículo enquanto caminhava pela faixa. Lembrei da caixa de fósforo e parei do outro lado da rua, como eu poderia estar fazendo aquilo comigo. Estou ficando louco? Perguntei a mim mesmo. Não gosto de jogar lixo no chão, porém, larguei o fogo ali mesmo sem ascender. Continuei a caminhar para casa. Desisti do supermercado. Eu estava triste, muito triste naquele dia, por isso fiquei assim. Consegui entender o porque de minha atitude e percebi que estava enlouquecendo de tanta carência de amigos e vitorias bobas como o dinheiro guardado, conquistas inúteis iguais o olhar da bonitinha da praia. Tudo que eu tocava não dava certo. Não ser o centro das atenções me deixou enfurecido com tudo e todos. Eu tinha até mudado o meu jeito de ser, agir e pensar. Não queria mais falar com as pessoas, o mundo me irritava, só queria era ficar trancado dentro de casa.
Levantei da cadeira andei um puco até a cozinha e lá fiquei. Traguei outra vez o cigarro e vi que havia só mais um cigarro no maço. Peguei outro na dispensa. Olhei a prateleira cheia de maços fechados esperando que eu ascendesse. A bebida também estava acabando, curveio pescoço avistando a garrafa meio vazia sobre a mesa. Esta eu tinha pouco, mesmo assim, peguei outra garrafa na dispensa. Dispensa? Hahaha... Era uma armário com apenas alimentos que não sustentavam alguém. Era apenas para enganar meu pensamento tolo de que tinha comida de reserva.
Sentei novamente na cadeira e continuei a escrita. Continuei a escrever está carta para quem me encontrasse após arrombar a porta, pois eu deixei-a trancada.
Pois bem, eu estava quase passando para a fase adulta e parei em frente ao espelho para refletir meus dezoito anos. Como cheguei até aqui? Perguntei ao reflexo. prguntei porque seu nome não é Eduardo? Tinha vontade de ser outa pessoa, não eu memo. Eu estava com amigos, um trabalho, mas não tinha direção de mundo. Aonde eu queria chegar. Lembrei que, enquanto criança, eu qureia ser mecânico de automóveis e hoje, era um simples mensageiro externo. Sem cultura e sem pai, pois meu pai não morava comigo. Passei a mão no meu rosto e vi que haviam umas penugens. Lembrei da primeira vez que raspei-as e meu pai não esatva lá para ensinar-me. Tentei chorar e não consegui. Fechei os olhos, tentei ficar emocionado e nada. Não consegui derramar uma lágrima. Terminei de limpar o rosto e sai. Voltei a realidade do momento balançando a cabeça, eu na cozinha escrevendo sobre a minha vida para deixar como história a quem quiser ler.
Fechei os olhos lentamente e traguei intensamente outro cigarro. Tossi forte desta vez. A tosse estava se tornando constante em minha vida, acho que o cigarro começou a fazer efeito no pumão. A bebida, como falei no inicio, estava sendo igual água sem gás. Descia macio e não reanimava. Deixei o copo cair no chão e não quebrou. Vazo ruim não quebra, digo copo ruim. Ri sozinho, como em inúmeras vezes que ri só. Peguei outra caneta, pois a primeira tinha esgotado a tinta.
Quando completei vinte anos, me vi outra vez sem nada. Eu tinha poucos amigos e poucas pessoas me procuravam. O que eu fiz de errado? Me perguntava até hoje. Eu ajudei pessoas, dei dinheiro há algumas pessoas, fiz orações e nada acontecia comigo. Onde é que eu errei? Frase de mãe esta. Mas ela me acompanhava em todos os momentos. Aquela imagem da faca encostada em minha barriga não me saia da cabeça. Sempre me lembava deste dia. Eu voltei do curso de jovens e tinha quebrado um vaso de planta sabia que mamãe me bateria. E com medo eu queria me matar, mas não apanhar da mamãe.
Fiquei emocionado por um momento antes de continuar a escrever. Umas lagrimas fizeram vontade de sair dos olhos cansados de exposição a luz que parecia menos acesa e mais amarela depois de algumas horas escrevendo. Continuei...
Eu só queria ser alguém importante. Importante não, queria ser mais atraente e querido pelas pessoas que me conheciam. Eu onhecia muitas pessoas, mas meu jeito não as conquistava completamente. E eu sabia o porque disto. Ao menos, pensava que sabia. Vou contar nas próximas linhas.
Em minha adolescênacia, eu não era igual a outros garotos. Eu tinha um jeito mais recatado e comportado. Também, se ousasse o atrevimento era barrado por alguém. Amigo, mulher ou mamãe, sempre alguém barrava meu desempenho alegre e divertido. Ou era xingado ou levava um empurrão nos ombros, mas sempre me barravam.
O telefone tocou novamente, mas não atendi. Foi quando levantei para outra pausa e tomar outro gole de uísque. Estiquei o corpo e sentei novamente. Os dedos cansados da escrita com a caneta.
Minhas palavras pareciam sempre as mesmas. Lamentações de solidão e pouco desempenho. Desempenho medido, por mim, como estar nos pensamentos das pessoas e ser considerado. Considerado, esta é a palavra chave de tudo, eu acho. Eu ouvia isso das pessoas, mas elas não mostravam isso pra mim. Eu mostrava isso, abraçava, beijava, tocava, acariciava e não recebia nada em troca. E as ligãções?! Apenas "Eu penso em você, amigo" alguma amiga falava ao telefone quando eu ligava. Amiga, quantas amigas eu tinha. Muitas. tive muitas amantes também, poruqe namorada, xi... lembro de quase ter tido uma. Elas foram marcantes em minha vida, mas nenhuma me conquistou de verdade. Aliás, teve duas que me fizeram perder o rumo. Rumo que eu não tinha mesmo, mas conseguiram me fazer pensar nelas o tempo todo. Uma vez eu fiquei em casa o final de semana todo esperando a bonitona me ligar e ela estava na praia em outro estado. Tudo bem que ela estava sendo jurada de morte, mas eu queria estar com ela. Largaria tudo para estar junto a ela. Eu havia jurado amor por toda a vida. Amor, eu achava que a amava. Meu sentimento era intenso e não deixava de pensar um minuto em seu cabelo enrolado e boca carnuda.
Havia escrito muitas páginas, foleei-as calmamente e traguei outro cigarro. Precisei buscar outro maço e outa garrafa de água ardente.
Desta vez, peguei a pistola prateada segurei. Engatilhei uma bala e apertei o gatilho. Treck! Respondeu a arma. Travou outa vez! xinguei alto e resmunguei em tom mais alto. Bati ocabo na mesa e olhei pelo cano. Destavei o pente com apenas uma bala e tirei da arma. Segurei-a firme e bati com força na mesa. Nem a arma queria ajudar-me. Eu só queria acabar com isso, tudo rapido e esperar a justiça divina me julgar. Encotrar com alguém e saber como eu cheguei a este ponto. De querer me suicidar.
Continuava a tossir cada vez mais intenso e a não sentir o gosto da bebida. Peguei a caneta e voltei à missiva.
Que alguém, um dia, possa saber como eu tentei ser vitorioso neste mundo e não consegui. Eu tenho a consciência tranquila, ou deveria, de saber que tentei. Mas eu posso estar errado, talvez esteja mesmo, mas quero acreditar que tentei inúmeras vezes não pensar em maldade.
Há pouco dias, estava em um SEIS LETRAS(Bordel), para melhor leitura, e me vi outra vez em julgamento. Aquela linda mulher em cima de mim, fazendo carinho e beijando-me no rosto. Só porque eu paguei para fazer isto. Tive uma visão de meus dias até o momento. As mulheres não se apaoxinavam por mim. O que acontecia comigo? Fiz-me outra vez a mesma pergunta. Um cara legal, trabalhador, sorriso bonito, alto e sem namorada ou esposa, ou até mesmo, uma paquera. Será que eu fui exigente demais ou não era bonito mesmo? Sei que eu pensava demais antes de sair com uma garota. Pensava duas, três vezes, não queria magoar ninguem. Mas as pessoas não pensavam nisto. Foi neste pensamento que comecei a falar tudo que eu pensava. Guardar estava deixando-me com vícios. E bastava o vício que eu tinha adiquirido, cigarros, bebidas e mulheres. Uma vida promíscua de prostituição do meu corpo e alma. Era só isso que eu queria nestes últimos meses. Ser um rapaz bonzinho não me levou a lugar nenhum, então que seja pelo jeito ruim da vida. Até que o meu dia chegue, seria assim. Bebidas, mulheres e a droga do cigarro.
Apaguei por uns minutos. Acordei com meu rosto em cima do caderno com as minha pequena história. Lavei os olhos e ascendi outro cigarro. Enquanto soltava a fumaça pelo nariz, tomei outro gole para esquentar o peito carente. Uma blusa para esquentar no frio da madrugada e mais um gole de bebida quente. Nesta noite eu nem quis pedir uma pizza, que era minha favoria em noites frias e solitárias nesta pequena casa. Casa, qual casa? Dois cômodos que eu sentia-me desconfortável aqui dentro, e mal acabados. Sem reboco na parece e com o piso grosso. Eu queria terminar e ter um sobrado, mas o dinheiro sempre era para outras contas. Eu sabia que precisava de uma pessoa em minha vida, uma esposa, mas onde encotrar alguém com espírito de dedicação e partilha. Ouvi muitas mulheres dizer isso, mas todas, sem exceção, quer ser cuidada. Elas querem ser bancadas e ficar numa boa sem trabalho. A maioria pensa assim. Vida boa, marido bonito e receber carinho. Carinho! Não queria lembrar disto. Tomei outro gole e abasteci o copo. Desta vez até derramar. Molhou as folhas do caderno. O que importa? Não vou ler mesmo depois.
Não me preocupei em limpar, apenas continuei a escrever.
As noites eram longas e sem sono. Muitas estavam sendo em claro, as noites que eu tinha. Dormir pra que, pensava. Acordar para ver as pessoas e ouvir hipocrisia, falsidade e outras baboseiras. Pra que tudo isso? Eu sabia responder, e não queria. Só quero acabar esta carta logo e apertar o botão da pistola prateada. A única razão pela qual esperei até agora, as cinco da manhã.
Eu caminhava e pensava em tudo o que eu fazia. Nada era de bom, se fosse, eu teria pensamento vitorioso. Ou então, estava exigindo demais de mim mesmo. O que acha? Eu tenho certeza que o problema está comigo, e as pessoas completam um pouco a minha tese, pois são insensíveis. As mulheres são, mas querem se sobressair apenas. Eu fui por um tempo e não consegui nenhum benefício com isso. Ser o homem diferente só me rendeu elogios, companhia que é bom, nada. Por isso, vós escrevo, A vida não é bastante.
Coloquei bebida no copo e me enfureci. Peguei a arma e apontei para mim. As m]ãos tremeram desta vez...
O cigarro estava acabando e o cinzeiro cheio de cinzas. Vinte maço em uma só noite era meu ápice. Meu êxtase de tentativa suicida. A bebida estava mesmo sendo pouco. E a pistola era a última saida, que já tinha tentado e falhou. Lembra disto?
A minha cabeça estava a mil, em pensamentos. Entende a expressão?! E não queria mais viver. Este era o lema. Nada me motiva e tão pouco, me sustenta. A vida não era o bastante pra mim. Só me restava tentar ser escritor e deixar esta carta para muitos lerem e refletirem na minha coragem. Que só percebia que tinha quando o assunto era suicídio. Peguei a arma outra vez para ver se estava funcionando, fiz até uma prece. Carreguei com duas balas. Apertei o gatilo apontado para mim... Tá!!!
...Bom, amigo leitor. É com muito pesar que continuo esta missiva. Assim seja a vontade do amigo falecido. Sua tentativa de terminar a carta, foi barrada pela arma que apontou para si em tentar ver se está funcionava.
Meu amigo querido e que tinhas seus problemas intrapessoais, não continuou a escrever. Vou ser breve e relatar apenas a minha visão de sua pessoas, pois fui incumbido desta façanha pela família que muito me quer bem. Assim como eu queria o bem de meu amigo.
Rapaz de bom sentimento, forte e tolerante com as pessoas. Mas foi fisgado pela maldade dos fracos que não querem ser ajudados pela lei divina. Se suicidou em 17 de Março de 2007 com um tiro no pescoço ao testar a arma. Sua família, eu inclusive, está em prantos pela perda. Ele deixou muitos amigos queridos, que eram falhos sim, até mesmo eu ouvi varias vezes que não ligava para ele. Com razão, tinha o pensamento que nós o renegavamos. Poucos o procuravam. Choro hoje a perda de um excelente amigo. E que todos , quando estiverem lendo esta missiva, sintam a perda desta pessoa maravilhosa que não aguentou sozinho o mundo devorador, um mundo com pessoas injustas e oportunistas em muitas atitudes. Que meu amigo esteja em paz, mesmo enfrentando o senhor em sua atitude suicída, que esteja em paz agora.
Amigo, perdoe-me, pois sempre vou pensar em você. Mesmo que agora eu não consiga dizer o quanto te amo, vou pensar em você.
Adeus!
enviada por Miltinho Lopes
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