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30/09/2007 16:31
O Bilhete
Dia frio, vento assoviando na janela do quarto. Há momentos em que as travas da janela batem entre elas e parece algupém chamando na porta.
Minha cama está quente. O lençol recém trocado nesta mesma manhã e de cor clara. Não entendo porque fico dentro de casa. a TV o rádio ligados e não ouço nada, estou pensando em muitas coisas. Uma delas é porque estou dentro de casa pensando em minha vida? Não sei responder e procuro a resposta faz anos. Desde que tinha...catorze anos. Nossa já se passaram dezoito anos desde aquele fato. Melhor nem contar para não deixá-lo assustado. Eu estava...já comecei agora vou terminar.
Eu estava fazendo lição como de costume ao chegar da aula as seis horas da tarde. A noite acabara de chegar e eu sentava na cozinha com a televisão pequena ligada em volume baixo e eu respondia as lições para ficar livre no dia seguinte. Dia sim dia não a professora deixava lição para responder em casa. Eu era um dos alunos mais disciplinados da sala. Não fazia isso por prssão ou ganhar prestigio com as pessoas era o meu jeito de viver. Sim, era, pois não é mais. Fiquei incomodado com esse jeito certinho de ser, um jeito previsivel que as pessoas a usa volta identificad rapido. Mas contarei em parte. A história ficará mais interessante de saber.
Nesta mesma noite eu terminei rapido minhas lições e fui para o quarto ler um pouco. Mamãe que foi culpada de me ensinar a ler e incentivar muito isso. Meu pai era um tanto relaxado e lia pouco. Eu entrei noi quarto e percebi algo estranho, não sabia bem o que me incomodava mais algo deixou-me pensativo atitude não muito característica de mim. Ao deixar minha mochila pendurada notei um papel em cima da cama. Sentei vagarosamente e vi que era a letra de mamãe por fora escrito meu nome. Havia também um coração desenhado. Abri o papel de caderno e comecei a ler. Na primeira frase eu comecei a chorar e cada linha lida eu aumentava o choro. Asl lágrimas começaram e manchar a tinta no papel. Não conseguir terminar de ler. Deitei na cama e fiquei pensando por quê ela teria sumido? Por uê mamãe quis ir embora de minha vida e deixar meu pai para cuidar de mim? Fique decepcionado e triste pr muito tempo. A única mulher que eu amava no mundo, pois conhecia o amor materno e paterno, não estava mais comigo. Meu pai não se importou muito com isso. Ele não se importou comigo nos primeiros dias. Leu o bilhete de mamãe e não sentiu nada, nem uma lágrima escorreu em seu rosto pontilhado por pintas de nascença. Sua barba arranhou me meu rosto quando ele me deu o unico abraço após a partida de mamãe.
Lembro disso até hoje, detalhe por detalhe. Fico pensando se um dia voltarei a vê-la e quando esse momento chegar se eu teri coragem de abraça-la. Senti sua falta por meses, anos depois. E com o passar fui me acostumando com a saudade intensa que sentia do seu rosto macio quando tocava em mim, de sua mão mediana quando mechia a panela ao fazer o jantar. Mãos pesadas ao me bater por fazer bagunça no quarto, mas eu adorava receber um abraço de mamãe. Hoje, mais do que outro dia agonizante em pensar na saida de casa da pessoa que me deu a luz, fico buscando uma resposta para isto. Por quê ela quis partir? Eu nunca tinha visto meus pais brigarem ou discutirem, não entendia aquela situação.
O vento soprando a janela me recordava intensamente os dias em que os dias vinham me cobrir e falar boa noite. Um me beijava de um lado e o outro me passa a mão no cabelo fazendo carinho até eu fechar os olhos. Eu era feliz com os dois e não entendia bem esta felicidade. A janela fez outra vez o barulho entre as travas e por uma frecha assovio bem alto que precisei levantar rapido para tampar. Deitei novamente e voltei meu pensamento no dia em que mamãe deixou uma carta pra mim. Peguei a coberta, uma manta que ganhei quando completei treze anos e me cobri. Eu a guardava com carinho, pois havia bordado o nome de mamãe, papai e o meu. Com esta manta que me colocavam para dormir.
Ajeitei a manta em meu corpo até o pescoço e acaricei meu cabelo lentamente. Igual a um flesh de máquina as imagens vinham em meu pensamento das vezes que fui amado por meus pais. Este pensamento me atormentava nos finais de semana, pois eu ficava sem fazer atividade. Trabalhava muito durante a semana e me punia em pensamentos no sábado e domingo. Buscava uma resposta para tudo isso. Ficar pensativo e não ter com quem conversar, não ter com quem triocar idéias para planejar a vida e sentir felicidade. Eu devo estar maluco mesmo e só quere ficar em casa.
Aos poucos recuperei da hipnoze momentânia e ouvi o locutor da emissora de rádio anunciar uma propaganda. Balancei a cabeça para dispertar rapidao e cheguei mais perto. Comecei a rir sozinho da propaganda e da voz do locutor imitando uma artista da novela. No momento olhei-me no espelho ao lado da cômoda e enxerguei meu sorriso. Nunca havia parado para ver o quanto eu parecia feliz. Notei em poucos segundos de reflexão que eu não precisava de muito para ser feliz, apenas precisava acreditar. Olhei para o bilhete de mamãe no criado mudo ao lado da cama e dei as costas. Desliguei tudo e sai de casa. Fui caminhar e ver o quanto a luz do dia me faz bem.
enviada por Miltinho Lopes
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